05 de setembro de 2010, 10:14h   Ano III, Nº 81 - de 15.jun.2010 a 30.jun.2010 Política
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Paulo Roberto se candidata à Câmara Federal

Vicente Lopes

O termo tsunami (do japonês, “onda de porto”) designa um maremoto ou ondas gigantes que costumam devastar regiões costeiras, como aquelas que castigaram a Ásia e a costa leste da África em dezembro de 2004, deixando 280 mil mortos. Embora o fenômeno mais próximo de nós tenha ocorrido a uns 5 mil km daqui, com a série de ondas originada no sismo na costa do Chile em fevereiro passado, pelo menos na política, ilustrativamente, todos conhecemos bem seus efeitos.

 

 Pois apertem os cintos! Neste momento, senhoras e senhores, o ex-prefeito Paulo Roberto Cunha assume sua pré-candidatura a deputado federal e deflagra o mais novo tsunami político do Sudoeste goiano. Os arautos tocam suas trombetas, ruflam os tambores, uma formidável batalha é esperada lá pras bandas das terras abobrenses. O quadro, que até poucas horas atrás parecia claro e bem definido, vai sofrer profundas modificações tanto nos seus prognósticos quanto em suas estratégias de guerra.


O fato é que o cenário agora se mostra inteiramente redesenhado, com as três maiores forças políticas da cidade já aquecidas e colocadas em campo. Paulo Roberto, o  Armagedon de tantas vitórias santas, aos olhos de muitos já aposentado e ora devotado à sua posteridade, ressurge no horizonte em busca dos seus antigos liderados. Algumas pessoas ligadas ao grupo de Juraci Martins acreditam que ele estaria blefando e, com seu gesto, tentando se cacifar para ser candidato oficial. Não se iludam. E se preparem: ele vem para tirar o sono de muitos estrategistas e mentores políticos. Outros, que apesar de antes jurarem lealdade eterna ao padrinho PRC, já estavam se alinhando ou mesmo se aninhando em insuspeitados comitês eleitorais, doravante serão cobrados em nome de uma circunspecta senhora que atende por Lady Coerência.


Ao entrar na disputa da vaga de deputado federal, Paulo complica e torna obsoleto muito – pra não dizer praticamente tudo - do que já foi feito por quem está em campo há mais tempo. Aqueles que concorrerão com ele serão lembrados pela coragem. Os que quiserem se preservar para uma outra oportunidade não serão considerados fracos nem covardes, mas apenas prudentes e ponderados. E, dessa vez, não poderão dizer que votos de Paulo Roberto seriam desviados para Juraci ou que a este teriam sido destinados votos daquele. A verdade, inelutável e que nos chega sem pedir licença, é que a entrada em cena de PRC torna a arena política de Rio Verde uma briga de pesos-pesados. Alguns protagonistas de acurado senso político, insatisfeitos ou decepcionados com a performance de Juraci, verão em Paulo Roberto um chicote para chamar de seu.                                                              

                       
Planos e planilhas deverão serem refeitos. É forçoso reconhecer, preliminarmente, que o resultado dessa eleição influenciará enormemente o resultado do pleito de 2012 e ainda há que se considerar fatos novos, caras novas, candidaturas novas para prefeito. Os mais acostumados, em particular, dirão que a coisa ficou do jeito que o capeta gosta.


Os derrotados nessa eleição ja entrarão enfraquecidos na outra, sem levar em conta as caras e os fatos novos da próxima.


Está absolutamente claro que muitos espinhos espreitam nos caminhos a serem percorridos por PRC. Não se podem menosprezar os poderosos trunfos de Heuler Cruvinel, que conta com o apoio incondicional de Juraci Martins e de seus liderados mais fiéis. Ronaldo Caiado também quer que Heuler tenha uma boa votação, claro. Heuler pode representar o novo na nossa política - basta-lhe para isso um pouquinho de habilidade e um muito de humildade. Uma coisa é inegável: Heuler é bom candidato, tem bala da agulha e conta com bons padrinhos que o querem eleito para representar Rio Verde em Brasília.


Sabe-se, por outro lado, que muitos dos eleitores que votaram em Juraci Martins somente o fizeram por perceber, em determinado momento, que sua vitória era inexorável, pois há muito Leonardo Veloso já havia sido deixado aos leões. Naquele  momento em que a derrota do ex-vice-prefeito já era do conhecimento dos espectadores, só existiam duas opções possíveis: Wagner e Juraci. Migraram para Juraci alguns poucos milhares de votos nos primeiros dias de outubro de 2008. E agora, José? Para onde irão esses votos migrantes ou errantes? Somente uns pouquíssimos videntes mais experimentados saberão antever em suas bolas de cristal o que o futuro espera.
Também não podemos desprezar o considerával patrimônio eleitoral de Wagner Guimarães, apoiado por Iris Rezende e cia. Até muito pouco tempo atrás, o próprio Wagner dizia que só Paulo Roberto Cunha seria capaz de ser eleito deputado federal por Rio Verde. Tal afirmação foi feita em mais de uma ocasião. Pois bem. Quis o destino que, tão logo Wagner decidiu ser candidato a deputado federal, PRC também assim o fez. Wagner tem a seu favor a militância coesa do PMDB. E carrega poucos desgastes, até porque jamais assumiu o poder executivo de Rio Verde, um antigo sonho acalentado pelo deputado. Mas isso de sonhar é outra história. Se os poucos desgastes o favorecem, Wagner também é sério, honesto e obstinado.


Há incógnitas e variáveis para todos os gostos e humores: Osório Santa Cruz e Paulo Roberto, ambos agora alcididstas de fé, subirão no mesmo palanque? O governador Alcides Rodrigues fica em palpos de aranha, precisando apoiar Paulo Roberto para contrabalançar o apoio de Juraci a Marconi Perillo? Um refresco pelo menos: Júlio Capparelli, morto politicamente, garante que não vai dar trabalho a ninguém, pois pretende passar todo o período eleitoral cuidando de rádio e jornal. Ufa! Muitos respiram aliviados por não terem que conviver com o humor do ex-presidente do PTB local.


Cumpre ainda falar do aguerrido combatente Karlos Cabral, nobre espécie de Hamlet político que ainda se encontra acometido das atrozes e inexplicáveis dúvidas que, aos poucos, consomem seu vigor político, e que não nos permitem sequer especular qual será seu projeto maior.


O certo é que se descortina uma grande batalha no Gran Circus Politicus dos arraiais abobrenses. Cada grupo político, aliás, já escolheu suas armas. E o seu general.


Aos mais temerosos, ou prudentes, ainda resta a fraca esperança de que Paulo Roberto Cunha não abrace a candidatura de deputado federal.


Preparemo-nos, pois...


Resta aos demais candidatos, orar... pois, pois.

 
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