05 de setembro de 2010, 09:56h   Ano III, Nº 81 - de 15.jun.2010 a 30.jun.2010 Rio Verde
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Uma cidade dominada pelo crack

Gabi Faedo

A criminalidade sempre foi algo assustador, implica não só na falta de segurança pública, mas também em problemas sociais como desemprego e miséria. Tudo isso vira um acúmulo de problemas, uma bola de neve, que reflete justamente em nossa sociedade.

 

Diariamente vivenciamos atrocidades em jornais, rádios, telejornais; é a menina que foi morta, o rapaz que foi preso, fulano que estuprou, beltrano que está solto, e nós meros cidadãos, ficamos a mercê do mundo.

 

O crack, por exemplo, é uma droga que se apoderou, não só da classe baixa, mas da média e alta. Há estudos que mostram o impacto que a droga causa em uma sociedade. É ruim para quem usa, pois além de colocar no relógio seu tempo de vida, também alimenta o tráfico, que é um fator agravante.

 

Douglas Cunha Viana, ou melhor, Douglas Cunha Resende, pois quando foi preso em uma construção no Bairro Dom Miguel, em 2010, portava documento falso e várias porções de crack. Quando foram até sua residência, no Jardim Mondale, encontraram um Notbook, duas tocas Ninjas, que supostamente usaria para assaltos, e também no local havia um comprovante de outro endereço, este, no Bairro Jardim Presidente. Nessa casa existiam 27,380 quilos de crack, o equivalente em dinheiro no varejo, a 250.000,00; duas armas, um revolver calibre 32, e outro calibre 38, umas das armas estava raspada.


Essa mega operação para prender o traficante foi realizada pelo serviço de inteligência da polícia civil, pois se tratava de alguém perigoso, que comandava grande parte do tráfico de Rio Verde, o tal “Cachorrão”, como era conhecido, voltou à cadeia.


A cidade cresceu muito nesses últimos anos, de maneira proporcional a criminalidade também aumentou, assim ao invés de existir nesse tempo, pessoal qualificado para combater o crime em Rio Verde, o policiamento passou por esquecimento, com a falta de agentes, carros muito velhos, gerando desequilibrio em nossa segurança pública. A polícia civil vem se reestruturando com viaturas novas, pessoal novo, altamente treinado para operações especiais, principalmente de tráfico.


O delegado dr. Elexandre César Rossignolo nos forneceu até um número exato das operações e prisões executadas nesse ano, mostrando que já houve melhorias de infraestrutura dentro da polícia, e que se tiver material para trabalhar, poderá executar muito mais ações como essa, retirando das ruas pessoas que nos colocam em risco eminente.


Voltando à história do famoso traficante Cachorrão, que foi preso no começo do mês, ele já tinha passagem pela polícia, foi preso e autuado dia 05 de junho de 2009, portando 6 armas de fogo, e 1.492 porções de crack. Quer dizer que, há um ano, o meliante estava atrás das grades, longe de nossa civilização, sem oferecer perigo à sociedade.


Não permito levar meus pensamentos a conclusão alguma, mas, como um indivíduo criminoso, portando seis armas e com mais de um quilo de crack, consegue em menos de um ano alcançar a liberdade?


Expirou-se o prazo para ser julgado? Caso for verdade, a falha com certeza seria do nosso poder judiciário, pois conheço inúmeras pessoas que por muito menos permaneceram mais tempo presas. O que não se entende é como Douglas Cunha Rezende se encontrava liberdade condicional e até o exato momento não tinha sido julgado e condenado por porte ilegal de arma e tráfico de entorpecentes?


E através desses deslizes vindos do poder judiciário, paramos pra pensar quanto tempo e dinheiro a segurança pública de Rio Verde gastou para prender um traficante duas vezes?


Só de viaturas foram mais de três disponibilizadas para o dia da ação policial, agentes civis, mais de dez, fora o tempo gasto e outros meios de trabalho que foram destinado à mesma pessoa duas vezes.


Isso de forma alguma pode acontecer, essas falhas não são imperdoáveis, contudo se espera mais agilidade e presteza de nossa segurança pública. O trabalho por mais bem executado que fosse, deveria ter acontecido uma única vez. Dá-se então margem à sociedade cobrar dessas pessoas, ou se lá de quem, condutas mais sérias e severas. Não deixar “escapar das mãos”, bandidos desse calibre, que não tem limite de nada, que fazem Rio Verde, se entupir de mercadorias ilegais, como drogas e armas.

A tabela abaixo mostra a quantidade de mulheres e homens presos esse ano, como usuários e traficantes.

 
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