05 de setembro de 2010, 09:31h   Ano III, Nº 81 - de 15.jun.2010 a 30.jun.2010 Rio Verde
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Agricultores vêem saída com leilões do PEP

Gabi Faedo

Este ano, o PEP (Prêmio de Escoamento de Produtos) foi destinado ao milho, já que o mesmo encontra-se abaixo do preço mínimo de mercado.

 

A intensificação da colheita de milho safrinha é um problema para produtores, pois há falta de espaço nos armazéns, que estão lotados. Se por um lado o aumento das exportações da soja abre espaço para a estocagem do milho, o próprio cereal não vem tendo um desempenho positivo nos embarques. Por isso, o mercado continua a apostar nos leilões de apoio à comercialização para escoar o produto e sustentar as cotações, na expectativa de garantir o preço mínimo pago nos leilões do PEP (prêmio para escoamento da produção).


Já é praticamente consenso no mercado que sem ajuda do governo, será impossível repetir em 2010 as exportações de milho registradas no ano passado, acreditam analistas. Em 2009 foram embarcadas 7,765 milhões de toneladas, 21,9% acima das 6,370 milhões de toneladas do ano anterior, segundo o Ministério da Agricultura.


 Boa parte desse desempenho foi possível graças aos leilões do PEP, um instrumento que embute subsídio ao frete, criado para viabilizar a comercialização de áreas com logística mais difícil como o Centro-Oeste. Este ano, o governo deve ajudar novamente e já estima um apoio de R$ 800 milhões para escoar o milho.


Há entre sete e oito milhões de toneladas de milho que precisam ser escoadas por meio da exportação, já que o mercado interno não absorve. Da safra total de 52 milhões de toneladas, 45 milhões devem ser destinados ao consumo doméstico.


Mas escoar essa diferença, sem apoio oficial, é hoje um desafio. Atualmente, o preço de venda na exportação está abaixo da cotação no mercado interno, o que acaba desestimulado a venda ao exterior.


A razão para esse cenário são os preços deprimidos no mercado internacional por conta da oferta elevada. Há ainda a concorrência da Argentina, que tem 14 milhões de toneladas de milho para exportar e consegue vender a preços mais competitivos que o Brasil, porque tem custos menores e peso desvalorizado em relação ao dólar. Assim, enquanto o milho brasileiro era ofertado no começo da semana por US$ 175 a tonelada, o argentino saía por US$ 155, de acordo com a Safras.


Pedro Arantes, assessor econômico da Federação de Agricultura de Goiás (Faeg), diz que os baixos preços do milho no plantio fizeram os agricultores goianos plantar mais soja no verão. “A safrinha cresceu, mas foi em um ritmo inferior à retração da safra de verão. Isso vai representar um milhão de toneladas a menos na oferta total de Goiás neste ano”, afirma Arantes. A expectativa é de que a produção das duas safras seja um pouco superior a 4 milhões de toneladas.


A Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura estima que será necessário exportar entre 8 milhões e 10 milhões de toneladas de milho diante da safrinha recorde. “Só se não houver demanda, não conseguimos exportar”, diz.


O governo deve apoiar a comercialização de 15 milhões de toneladas de milho, com operações de PEP e Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor).

 

 
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